Reforço da deteção activa de casos de cólera em Angola

Reforço da deteção activa de casos de cólera em Angola

Luanda - Numa manhã de finais de janeiro de 2025, Júlia Armando encontrou a sua mãe de 68 anos caída no chão, com diarreia grave e vómitos. "É uma situação que nunca tinha visto antes... foi um choque ver a minha mãe deitada no chão sem forças", conta. Armando levou a mãe para o centro de tratamento de cólera mais próximo, onde foi tratada e, felizmente, recuperou totalmente.

Depois de ter experimentado em primeira mão a gravidade da cólera, numa altura em que Angola luta contra um surto da doença, Armando, da província do Bengo, no noroeste do país, e uma das mais afectadas pelo surto, tornou-se uma defensora na sua comunidade, sensibilizando sobre os sintomas e a necessidade de se dirigir imediatamente a uma unidade sanitária se forem detectados sintomas. "Temos de controlar esta doença perigosa. Não podemos viver bem enquanto isto persistir", afirma. A experiência de Júlia reflecte a situação geral nas três províncias mais afectadas, nomeadamente Luanda, Bengo e Icolo e Bengo, desde que o surto de cólera foi confirmado em Angola em 7 de Janeiro de 2025.

Dado o risco crescente associado ao início da estação das chuvas, para responder às crescentes necessidades urgentes, as autoridades sanitárias de Angola, com o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos parceiros, estão a intensificar as medidas de controlo para impedir a propagação da doença e acabar com o surto. Por exemplo, foram destacadas 20 equipas de resposta rápida em três províncias, nomeadamente Luanda, Bengo e Icolo e Bengo, para realizar a deteção activa de casos nas comunidades e reforçar a resiliência da comunidade para promover boas medidas de prevenção e notificação.

A OMS formou mais de 120 profissionais de saúde na deteção e notificação activa de casos, na realização de inquéritos rápidos sobre infecções, no tratamento de dados e na mobilização das comunidades para a adopção de medidas preventivas. Na província do Bengo, as autoridades sanitárias, com o apoio da OMS, constituíram 13 equipas de resposta rápida que trabalham diariamente nas comunidades.

"A OMS está a apoiar o governo no reforço das equipas de resposta nas comunidades, assegurando a identificação atempada dos indivíduos afectados, a mobilização da comunidade, o controlo das infecções e a protecção da população angolana", diz o Dr. Lelo Zola, Oficial de Emergência da OMS.

Para além da deteção activa de casos, o Ministério da Saúde, com o apoio da OMS, da UNICEF, do Banco Mundial e do Comité Internacional da Cruz Vermelha, realizou uma campanha de vacinação reactiva de cinco dias em janeiro de 2025, vacinando mais de 900 000 pessoas. Graças ao forte envolvimento da comunidade e aos esforços de sensibilização, a campanha atingiu uma taxa de cobertura de vacinação de 99,5%.

"Estamos todos empenhados em acabar com a cólera e estamos gratos pelo apoio da OMS. Com a deteção activa de casos de cólera na comunidade, combinada com a mobilização comunitária, o uso de água potável, a boa higiene, a vigilância adequada, o tratamento imediato dos casos e a vacinação, esperamos ver uma redução dos casos", diz o Director Provincial de Saúde do Bengo, Domingos Golão.

Desde que o surto foi confirmado aos 7 de Janeiro de 2025, foram notificados cerca de 5000 casos suspeitos, incluindo 800 confirmados, com 180 mortes e uma taxa de letalidade (CFR) de 3,6%. Embora o conselho da OMS seja de que a CFR não deve exceder 1%, verificou-se uma redução em relação aos 9% registados quando atingiu o seu auge na segunda semana de Janeiro de 2025. À medida que mais casos são identificados através da busca activa e tratados adequadamente, menos mortes são registadas.  

"Todos temos de trabalhar em conjunto - governo, organizações nacionais e internacionais e sector privado - para garantir o acesso a água tratada, tratamento atempado e medidas preventivas, especialmente nas áreas mais críticas e de difícil acesso. É responsabilidade de todos, evitar mais vidas perdidas devido a esta doença evitável e tratável", afirma o Dr. Zabulon Yoti, Representante da OMS em Angola.

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